Quando me formei em jornalismo, assumi o compromisso de apurar as informações, ouvir sempre todos os lados e compartilhar histórias com responsabilidade. Assim como fiz, relatando a minha cesárea, decidi mostrar histórias de outras mães e do dia em que colocaram seus filhos no mundo, seja de parto normal, natural, humanizado, cesárea, em casa ou no hospital, seja ela uma história boa, linda, emocionante, triste ou ruim. A intenção é, como eu disse, compartilhar informação e mostrar como cada experiência é única e como cada escolha é muito particular.

A história de hoje é sobre a cesárea da Carla, minha parceira de CrossFit, e o nascimento da Maria Eduarda. Spoiler: a experiência dela foi ótima!

“Eu descobri a minha gravidez já entre 25 e 26 semanas. Com apenas três meses pra organizar a vida, “qual o tipo de parto?” foi uma das perguntas que mais ouvi. E antes disso sempre pensei “tá maluco ter um parto normal!”.

Porém, quando me vi grávida e após algumas leituras e conversas com minha obstetra, a dúvida começou a perturbar minha cabeça. Dormia e acordava pensando nos prós e contras de cada tipo, e as perguntas diárias das pessoas, sobre se eu já havia me decidido nessa questão, não me ajudavam muito.

Decidi então que NÃO queria escolher a data em que minha filha iria nascer. Resolvi que ela escolheria o dia e que na hora eu decidiria se seria vaginal ou cesárea. Conversei muito com a obstetra e ela me entendeu e aceitou entrar comigo nessa.

Completei 39 semanas e MaDu ainda não havia dado sinais de que estava na hora, mas com 40 semanas comecei a sentir cólicas e desconforto para dormir. Fui ao consultório da minha médica e ela fez um exame de toque: o colo estava começando a abrir. Saí da consulta e voltei pra casa. Naquele mesmo dia, as cólicas aumentaram e meu tampão mucoso foi liberado. A bolsa não estourou, mas as contrações iniciaram, leves e bem espaçadas. Liguei pra médica e ela me disse para ficar calma e observar. Caso aumentassem, que eu ligasse novamente e fosse para o hospital.

Tive uma noite péssima, com muitas dores, chorava e pensava se aguentaria quando elas começassem a ser de hora em hora ou de minutos em minutos. Levantei da cama às 7 da manhã e liguei para a médica novamente, desta vez decidida que não passaria mais um dia sentindo dores. Percebi que o parto vaginal não era para mim e que minha filha já havia me dado o sinal de que estava pronta para vir ao mundo. A médica pediu para que eu aguentasse mais um pouco, mas eu acordei decidida de que queria a cesárea!

Ela então ligou para o hospital e marcou minha internação para as 18 horas. Fui então para o salão fazer a unha, escova, maquiagem. Liguei para a fotógrafa, avisei minha família e me arrumei, estava pronta para ir para a maternidade e fiquei aguardando meu noivo chegar com minha sogra para me buscar. As dores aumentaram e eu comecei a me desesperar um pouco.

Entrei no quarto e decidi junto à fotógrafa fazer um vídeo desses momentos. Fizemos fotos com a família e filmei toda minha preparação para a cirurgia. Quando chegou a hora, deitei na maca e meu noivo parou do meu lado, segurou minha mão e começamos a chorar. Um choro de medo, de alegria, de nervoso, não sei muito bem… E juntos caminhamos até a sala da cirurgia.

Ele ficou numa antessala e eu entrei para a temida anestesia. Porém, foi tão rápida e indolor que, quando percebi, já estava com as pernas paralisadas! Não senti absolutamente nada além da dormência e logo depois meu noivo entrou na sala e ficou ao meu lado. A cirurgia começou e não senti nenhum cheiro de “carne queimada”, como imaginei. Minha obstetra colocou uma música para tocar e distrair o momento, mas não me pergunte que música tocava naquela hora nem os motivos das risadas das médicas enquanto iniciavam o processo.

Eu olhava o tempo todo para meu noivo, ele estava com o celular na mão filmando tudo, quando de repente comecei a sentir uma das médicas praticamente subindo em cima da minha barriga e fazendo uma pressão. Parecia que eu sentia minha filha saindo, pois apesar de anestesiada, senti muita pressão e o vazio da hora que ela saiu. O choro dela e o sorriso do meu noivo ao meu lado é o que me lembro daquele momento.

Eu havia combinado que minha filha ficaria ali comigo assim que nascesse, pelo menos um pouco, e foi assim que a obstetra fez. Maria saiu da barriga e, antes mesmo de cortarem o cordão umbilical, ela ficou ali no meu peito, juntinho a mim. Pude sentir seu cheiro e beijá-la. Ficamos alguns minutos juntas e então levaram ela. Meu noivo foi junto e pedi a ele que não desgrudasse dela, para conferir a pulseirinha com nossos nomes e ficar de olho em tudo!

A cirurgia terminou e me encaminharam para o quarto, onde fiquei com minha mãe por mais ou menos uma hora até que meu noivo e minha filha retornaram. E desde então não desgrudamos mais.

Meu pós-operatório foi ótimo. Tirando o desconforto da sonda e da falta de sensibilidade nas pernas na primeira noite, as outras noites foram tranquilas, com poucas dores. Logo coloquei uma cinta e fui ao banheiro sem problemas. Apenas o sangramento pela vagina que durou uns 40 a 50 dias. Mas ao voltar para casa eu já conseguia fazer tudo sozinha.

Tenho uma ótima lembrança da minha cesárea, fiz um vídeo lindo de cada momento e choro todas as vezes que assisto. Não tenho nenhum arrependimento de ter desistido do trabalho de parto de fato. Não cheguei perto da fase expulsiva e já percebi que aquela dor não era pra mim. A parte ruim da minha gestação foi o fato de eu não ter tido tempo de fazer muitas fotos da barriga.”