103,8.
Esse foi o número que eu vi, cerca de 10 minutos atrás. Não era a sintonia da rádio que eu ouvia no carro, não. Era o peso do meu corpo em cima da balança.

Certa vez, lá pelos 17 anos, eu alcancei os 74 quilos. Foi o auge do meu corpo. Eu, que nunca fui magra.

Sanfonei, sanfonei, sanfonei. Subia e descia na balança pra ver o peso subir e descer também. Procurava o corpo perfeito porque achava que o amor perfeito viria também. Não só o amor de fora, mas principalmente o de dentro.

Cheguei aos 90 e ansiei pelo amor. Aos 85, continuei. Aos 78, permaneci. Não foi na minha melhor forma que o amor chegou. Foi no 103,8 que meu coração finalmente se preencheu.